A literatura da ansiedade social em adultos indica que a média de idade do começo desta perturbação dá-se no meio da adolescência, com situações fóbicas mais comuns semelhantes às do adulto como o falar, comer ou escrever em público, usar casas de banho públicas, ir a festas, falar com figuras de autoridade e interacções informais como a interacção com os pares. Como forma de lidar com estas situações, tendem a recusar-se a fazer determinada tarefa ou dá-la a alguém, fingir estar doente ou esconder-se de forma a evitar a sua realização, tendendo assim a apresentar alguma forma de comportamento de evitamento. Para além disso, a ansiedade social poderá apresentar comorbilidade com outro tipo de perturbações, como a ansiedade de separação, perturbação de ansiedade generalizada, perturbação de pânico, fobias específicas e depressão. Ao apresentarem estes comportamentos de evitamento, estes jovens poderão ser tidos como opositores e aumentar ainda mais as suas dificuldades sociais.

Neste sentido, é fundamental uma intervenção em múltiplas dimensões, incluindo o aumento das capacidades sociais, a redução do medo e da ansiedade, diminuição da psicopatologia associada e aumento da interacção social, nomeadamente com os pares. A exposição a situações temidas deverá ser o elemento central da intervenção, sendo uma intervenção precoce fundamental para a prevenção de possíveis disfunções no adulto:

  • Antes de mais, é de extrema importância que haja uma componente educacional, para educar os pais e as crianças acerca da natureza dos medos sociais e da ansiedade. A cooperação parental é fundamental, tanto para a compreensão do porquê dos comportamentos que o filho possa apresentar, como para perceber a melhor forma de os ajudar a enfrentar e diminuir assim o evitamento dos mesmos em contexto familiar.
  • Deverá existir uma intervenção tendo como base um treino de competências sociais, envolvendo estratégias de ensino como instrução, modelagem, ensaio comportamental (componente mais crucial no programa de treino de competências sociais porque providencia a oportunidade de praticar a capacidade num ambiente controlado), feedback de correcção e reforço positivo.
  • Para promover a generalização do treino de competências sociais e providenciar as oportunidades para a interacção com outras crianças e/ou adolescentes, uma componente de generalização de pares deve ser introduzida. Desta forma, a criança terá oportunidade de praticar as suas capacidades com alguém de idade apropriada e socialmente competente em contexto apropriado de situações reais. Estas actividades deverão ser adaptadas individualmente e de acordo com a idade e interesses particulares (como ir a um museu ou realizar um jogo de vídeo).
  • É importante que as situações anteriormente temidas e/ou evitadas sejam trabalhadas em contexto clínico, devendo as actividades serem tão reais quanto possível. Deverá ser feita uma avaliação contínua, assim como registos de quais as situações antecedentes mais problemáticas e a adaptação das consequências contingentes ao comportamento.
  • É necessário que o Técnico seja uma figura de apoio e que vá reforçando positivamente as crianças por tudo aquilo que vão alcançando e é importante que esse reforço seja consistente e dado de forma imediata. Quando o comportamento é recompensado ou reforçado, tende a ser repetido e a tornar-se durável no tempo.

Sofia Moreira, MS, Pós Graduada em Análise Comportamental Aplicada

Psicóloga

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