A esperança média de vida tem vindo a aumentar e consequentemente as questões físicas e mentais relacionadas com a idade avançada também. Os pacientes mais idosos frequentemente relatam questões comportamentais, normalmente associadas com perturbações como a demência e a depressão. Estas poderão incluir comportamentos associados com apatia, perda de interação social, a obsessão-compulsão, um decréscimo na sua higiene pessoal, por vezes tendência para comportamentos e discursos de injúria para com o outro, entre outros comportamentos que poderão surgir nesta faixa etária.

A análise comportamental aplicada tem vindo a demonstrar resultados encorajadores juntos desta população, ao analisar o contexto em que estes comportamentos surgem, olhando para o comportamento de uma forma funcional e tendo em conta os fatores ambientais, nomeadamente as mudanças biológicas que acontecem na terceira idade. Ao ajustar o antecedente e/ou a consequência, a análise comportamental aplicada pode melhorar de forma significativa a qualidade de vida também nas pessoas mais idosas, apesar das suas condições físicas.

A intervenção  junto desta população poderá ser realizada num trabalho de um para um e também em grupo, utilizando estratégias e sistemas de reforço como um sistema de motivação com estrelas. À medida que os indivíduos vão ganhado um determinado número de estrelas, poderão trocar por coisas ou atividades que gostam, encorajando e aumentando a probabilidade de apresentarem  comportamentos desejados que se pretende criar e/ou aumentar. Poderão ser criados em paralelo jogos em grupo em que todos os intervenientes indiquem uma atividade que gostem de fazer, sendo uma forma de interação social e também uma mais valia para que os técnicos fiquem a conhecer o que poderá funcionar como um reforço positivo para cada pessoa. No caso da demência, poderão ser criadas ajudas para os idosos poderem ser mais autónomos, tendo em conta cada caso e quais as dificuldades específicas de cada indivíduo. Um exemplo de uma destas ajudas poderá ser colocar uma imagem dos seus objetos pessoais numa gaveta onde os mesmos estão guardados. Ao manipular o ambiente, trabalha-se assim o antecedente, que irá conduzir a um comportamento desejado com uma consequência positiva para o idoso.

 

Criar soluções e ajudas que permitam que o indivíduo tenha sucesso nas suas tarefas diárias, irá aumentar a motivação e a probabilidade de se envolver noutro tipo de atividades como as promotoras da socialização, que por si só irão promover outros comportamentos desejados. Para além do trabalho com o idoso, a análise comportamental aplicada poderá também trabalhar com a família e outros profissionais, tendo sempre em conta a melhoria da qualidade de vida do indivíduo e de todos os que o rodeiam. Em muitos casos de demência, as mudanças irão ser necessárias, como adaptações no ambiente, criação de rotinas e se necessário ajudas visuais e nas tarefas diárias no geral.

Tal como acontece com diferentes populações, a intervenção precoce é de extrema importância, sendo fundamental a manutenção das capacidades que existem através de diferentes estratégias de aprendizagem. Poderão ser realizadas diferentes tarefas e exercícios, utilizando material motivante para a pessoa em questão, como por exemplo dizer os nomes de pessoas da família ao ver as fotos das mesmas como forma de trabalhar a memória, tendo sempre como consequência o reforço positivo. Quando existem dificuldades ao nível da comunicação, poderão ser desenvolvidas e treinadas outras competências comunicacionais e, se necessário, material que ajude nesta tarefa.

Ao focar-se assim no indivíduo idoso e no seu ambiente, utilizando métodos de ensino e estratégias comportamentais, a análise comportamental aplicada poderá  melhorar o funcionamento e a qualidade de vida na terceira idade.

 

Sofia Moreira, MS, Pós Graduada em Análise Comportamental Aplicada

Psícóloga

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